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Reforma Ortográfica: professora comenta novo acordo
13/01/2016date_range Redação Sistema EPUperson
Reforma Ortográfica: professora comenta novo acordo

Fonte: Nova Ortografia

Na última semana, o Comando Regional abordou o tema "Nova Ortografia". A professora de português, Justina Ubessi, esteve nos estúdios esclarecendo dúvidas. Abaixo, você acompanha um resumo com as principais mudanças, e no player, mais informações detalhadas de um trecho da entrevista com a professora, confira:

Hífen

antirrevolucionar
codependente

De modo geral, deixa de se usar hífen em palavras prefixadas. Por exemplo, passa a escrever-se codependente econtraindicação em vez de co-dependente e contra-indicação. Mesmo nos casos em que o segundo elemento da palavra prefixada começa por r ou s deixa de se usar hífen, duplicando-se antes essa letra: antirrevolucionar e não anti-revolucionar, contrassenha e não contra-senha. No entanto, continuam a existir alguns casos em que o hífen é usado em palavras deste tipo: quando a palavra prefixada começa por h (anti-herói) e quando a última letra do prefixo é igual à primeira letra da palavra prefixada (mantém-se contra-ataque, por exemplo).*.  Há ainda alguns prefixos que levam sempre hífen: ex- (com sentido de anterioridade) e prefixos com acento gráfico, como pré- e pró-. Em todos os outros casos, as palavras prefixadas não são divididas por hífen.

fim de semana

As locuções, quando o eram, deixam de ser escritas com hífen: fim de semana e não fim-de-semanacor de vinho e não cor-de-vinho.

anti-/-incêndio

Passa a ser obrigatório (anteriormente era opcional) repetir o hífen na linha seguinte nos casos em que a translineação se faz onde exista já um hífen: anti-/-incêndio.

há de

As formas monossilábicas de haver deixam ser ligadas por hífen à preposição dehá de e não há-de.

 

Acento

tônico/tónico

O uso do acento circunflexo ou agudo nas vogais e e o passa a depender da forma como essas vogais são lidas em cada país. Visto que a pronúncia de palavras como tônico / tónico é diferente no Brasil e nos restantes países, na prática continua a escrever-se da mesma forma: em Portugal, nos PALOP e em Timor continua a escrever-se tónico, no Brasil mantém-se a forma tônico.

pela, pera, para

Algumas palavras que antes tinham acento gráfico apenas para serem distinguidas de homógrafos (ou seja, de palavras que se escrevem da mesma forma) deixam de ser acentuadas com o AO: assim, escreve-se agora pelo e não pêlo, deixando de se distinguir da contração da preposição por com o artigo definido o. Da mesma forma, passa a escrever-se pela e não pélapara e não pára (imperativo singular do verbo parar).*

joia, ideia

Segundo as novas regras, os ditongos tónicos na penúltima sílaba deixam de ser marcados com acento gráfico: assim, palavras como jóia e paranóico passam a escrever-se joia e paranoico. No Brasil, esta regra aplica-se também às palavras com ditongo ei tónico, que no Brasil eram até aqui escritas com acento e passam a ser escritas como nos restantes países, ideia e nucleico.

desague, baiuca

As formas verbais de verbos cujo infinitivo termina em -guar, como desaguar, e em -quar, como adequar, com uacentuado depois de g ou q, deixam de ser marcadas com diacrítico - adeque e não adeqúe para o conjuntivo presente e o imperativo de adequar. No Brasil, também desaparecem os acentos gráficos nas vogais tónicas i e u quando são antecedidas de um ditongo: baiúca passa a escrever-se baiucasaiinha passa a ser a forma correta da palavra que antes se escrevia saiínha.

 

Consoantes Mudas

ação, colecionador, atual, ótimo Quando precedem um tç ou c, as letras c e p passam a escrever-se apenas se forem pronunciadas como consoantes:ação em vez de acçãoótimo por óptimo. Nas sequências mptmpc e mpç o m passa a ser escrito n quando o p não se escreve: perentório e não peremptório. Em todos estes casos, quando a letra é lida como consoante mantém-se também na escrita: pacto não passa a ser escrito *pato.

 

À semelhança do que já sucedia no Brasil, esta regra passa a aplicar-se também em Portugal, nos PALOP e em Timor.
carácter/caráter

Ainda de acordo com a regra anterior, nos casos em que a pronúncia de uma palavra varie quanto à pronúncia de c oup, ambas as formas são aceitáveis, sendo a consoante escrita opcionalmente ou de acordo com a pronúncia dominante em cada país. Assim, detectar será aceite no Brasil, mas nos restantes países a norma aconselhará detetar. Da mesma forma, deverá poder escrever-se em todos os países caraterística ou característica, refletindo a variação existente na oralidade nos espaços em que o português é falado.

amígdala/amídala

A primeira letra nas sequências gdtmmn e bt pode também não ser escrita sempre que a forma como a palavra é dita num dado espaço geográfico o permita. Esta regra não provoca mudanças, no entanto: a grafia amídala para a palavra amígdala continua a ser possível no Brasil, sendo no entanto desaconselhada nos restantes países, onde o g é sempre pronunciado. Da mesma forma, a palavra omnisciente continuará a escrever-se opcionalmente no Brasil comoonisciente, devendo os outros países continuar a usar a primeira.

 

Trema

sequência

No Brasil, deixa de ser usado o trema para distinguir as sequências qu e gu em que o u é realizado foneticamente. Passa a escrever-se sempre sequência, deixando seqüência de ser possível; da mesma forma, aguentar e nãoagüentar.

 

Maiúsculas

janeiro, fulano

Várias palavras passam a ser escritas com minúscula em vez de maiúscula: os nomes dos meses (escreve-se agorajaneiro e não Janeiro) e das estações do ano (verão em vez de Verão) e as palavras fulanosicrano e beltrano.

 

Alfabeto

kantiano

As letras kw e y, que até agora não eram consideradas parte do alfabeto do português, são agora nele incluídas. No entanto, o uso destas letras não sofre qualquer mudança, continuando a usar-se apenas em abreviaturas e símbolos, siglas e acrónimos, palavras com origem noutras línguas e seus derivados.

 

Letra h

úmido/húmido

A descrição do uso da letra em início de palavra, como em hotel, é mais detalhada no Acordo Ortográfico de 1990. No entanto, a situação na prática não muda: o h inicial é usado apenas quando existe uma justificação etimológica para isso, mas não quando a escrita sem é h já consagrada pelo uso. Ou seja, em casos como úmido/húmido, a grafia usada mantém-se diferente de acordo com o país: continua a escrever-se húmido nos PALOP, Timor e Portugal e úmido no Brasil.

Fonte: Portal da Língua Portuguesa.

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